11 de mar de 2010

Nossa trajetória

Em meados de janeiro passado, no auge das férias, a Reitoria da UFRGS tentou votar no Conselho Universitário o projeto de criação de um Parque Tecnológico no Campus do Vale. A votação não aconteceu por falta de quórum. Esse projeto, uma iniciativa milionária que envolve vários interesses públicos e privados, era totalmente desconhecido pela maioria da comunidade acadêmica bem como pela sociedade como um todo.

Por isso, no dia 3 de março, os estudantes da universidade organizaram uma Aula Pública para divulgar à comunidade a importância de haver discussão. 

 Aula Pública sobre o Parque Tecnológico.

Diversos movimentos sociais foram convidados a participar do debate, mas a Reitoria, numa atitude infeliz, ordenou que os portões do campus fossem cadeados para que o povo não pudesse entrar na universidade que é sua por direito.

  Durante a Aula Pública, a Reitoria cadeou os portões do Campus Centro.

No dia 5 de março, último dia das férias letivas, a Reitoria outra vez tentou votar o projeto no Conselho Universitário. Mas a reunião do Conselho novamente não aconteceu, dessa vez porque foi cancelada por pressão do protesto dos estudantes e movimentos sociais, que desde o dia anterior haviam iniciado uma vigília pedindo que a votação fosse adiada. Mesmo sendo tratados com violência, houve resistência e o reitor foi obrigado a ceder. A sociedade, então, passou a contar com 30 dias para conhecer e debater a criação do Parque.

 Vigília pressiou pelo adiamento da votação do Projeto e obteve sucesso.

Inicialmente, a tramitação do Projeto foi acompanhada e problematizada pelo Grupo de Trabalho Universidade Popular, uma organização de estudantes da UFRGS que se ocupa de estudar e agir criticamente em prol de uma universidade mais democrática e ao acesso de tod@s. Com a ampliação do debate sobre o Parque, em virtude das jornadas de mobilização no início de março, o processo cresceu e foi constituído um Fórum para debater um modelo de Parque Tecnológico para nossa universidade. Este Fórum é integrado por centenas de estudantes de dezenas de diretórios acadêmicos, pela Assufrgs, por professores de diversos cursos e por movimentos sociais e outras organizações da sociedade.

Mas por que nos propomos a debater um modelo para o Parque? Por que o Projeto apresentado pela Reitoria não nos contempla? Entendemos que a produção de ciência e tecnologia é um dos pilares das universidades públicas, pois contribui para o desenvolvimento da sociedade nas mais diversas esferas, e pode auxiliá-la a ser mais livre e soberana. Para que isso ocorra, contudo, é preciso que o conhecimento produzido esteja em consonância com as reais necessidades da população. É, portanto, uma condição sine qua non que este seja de domínio público. Contudo, infelizmente a soberania do interesse público não está garantida no Projeto apresentado pela Reitoria, que diz, textualmente, que um dos objetivos que justifica a criação do Parque é “facilitar a transferência de tecnologia da Universidade às empresas instaladas”. Será correto permitir que o conhecimento elaborado por pesquisadores treinados e remunerados pelo povo brasileiro seja livremente apropriado para fins privados? Nós achamos que não.

* Assista documentário sobre a Aula Pública do dia 3 de março 

* Assista documentário sobre a vigília pró-democracia do dia 5 de março

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